segunda-feira, 15 de abril de 2013

Ser mãe no México.

Qual a diferença entre ser mãe no Brasil e México? Mudou algo?

Me lembro que quando deixei a carreira que tinha no mercado corporativo, logo que meu filho completou 1 ano, justo no ponto em que estava começando a decolar e comecei uma carreira incipiente na área acadêmica, muitos me julgaram louca. Filho cresce e sua carreira não volta mais. Não há como regressar onde estava, depois de alguns anos estará velha para o mercado, foram alguns frases que escutei na época. No Brasil, mulheres da minha geração são consideradas loucas por deixar sua carreira e o preconceito por uma mulher jovem e produtiva optar por ser dona de casa é algo impressionante. A verdade é que uma mulher que tem filhos no Brasil pode ficar com seu filho por 6 meses, cumprir a amamentação básica e depois tem uma infinidade de opções de lugares para deixar seu bebê, só não há remédio para o vazio que se sente no coração depois que se volta ao escritório. Creio que algumas mulheres são afortunadas de se sentirem tão realizadas com seus trabalhos que equilibram melhor a equação, eu confesso que não era meu caso e mesmo o bom salário que recebia não compensava minha perda.

Aqui no México a cultura é bastante diferente. Logo que inscrevi meu filho no pré-kinder que seria o maternal do Brasil, conheci as mães de seus amiguinhos e TODAS sem exceção, eram profissionais bem sucedidas, algumas com mestrado e MBA, que havia deixado seus trabalhos para dedicarem-se a família depois que seus filhos nasceram. Na escola da minha filha metade das mulheres trabalham, a maioria em empresas familiares, apenas pelo período que as crianças estão na escola, poucas são as que trabalham em empresas. A grande maioria das mulheres que trabalham depois que os primeiros filhos nascem, desistem no segundo filho. A cultura aqui é mais machista, é certo, o homem ainda tem o papel de provedor, mas na classe baixa as mulheres trabalham sim e ajudam no orçamento doméstico, assim que é menos por machismo e mais por opção que as mulheres ficam em casa. A estrutura para mulheres que trabalham é complicada, de forma que se a mulher não é profissional liberal ou tenha uma ajudante doméstica de confiança ou família dando suporte é quase impossível trabalhar. Eu mesma fiz as contas, com 2 filhos, pagando tudo que cobram para o trabalho que eu realizo: transporte, lição de casa, cuidar das crianças, eu gastaria mais do que o salário médio que pagam a estrangeiros que oferecem serviços bilíngues.

Primeiro há que compreender que aqui a cultura é extremamente elitista. Escolher uma escola para um filho é uma tarefa que é realizada muitas vezes antes que a criança nasça. As melhores escolas - maioria bilíngues, algumas tri-lingues tem filas de anos de espera e para aprovação no materna, a família e criança são sujeitas a aprovação que envolve muito mais que um teste para identificar o nível que a criança vai estar, está ligada ao aporte financeiro e cultural da família. As melhores escolas tem um horário que vai das 7:30 a 9 de entrada  e saem entre 12 e 14:30 da tarde (dependendo da idade da criança), a maioria delas tem opção de atividades extracurriculares e tareas dirigidas (ajuda na lição de casa) cada uma dessas atividades muito bem pagas mas a maioria delas vai até as 17:00h, 18:00 máximo. Existem escolas integrais que são chamadas guarderias, as guarderias são escolas com nível de ensino inferior que os bons colégios e seu horário de saída está maximo18:00. Existem algumas escolas que atendem horários até mais tarde, particulares, mas de menor qualidade.

Os salários médios e custo de vida são cerca de 30% e 40% inferiores ao Brasil, respectivamente. As mulheres que ficam em casa, são responsáveis pela educação dos filhos, administração da casa, que deve ter sempre sua apresentação social impecável, recebem frequentemente e fazem malabarismos com o orçamento doméstico, porque em qualquer lugar um a menos trabalhando faz diferença. A questão básica aqui é que estar em casa é uma opção da família, pela família, em função de manter os valores familiares preservados.

As crianças são crianças por mais tempo, se vestem como crianças e agem como tal. As famílias vão a missa aos domingos e estão em família nos fins de semana. Os adolescentes viajam com os pais e tratam os mais velhos da família com respeito e cordialidade.

Aqui uma mulher que deixa seu trabalho pensa apenas na perda pessoal que será deixar de trabalhar e na perda financeira. Não há uma cobrança da sociedade para que siga com a carreira. Outro dia, uma amiga mexicana dava conselhos a outra que desejava deixar de trabalhar: quando se trabalha fora, desperdiçamos muito, gastamos em qualquer coisa. Quando se deixa de trabalhar nos organizamos, equilibramos, apertamos. No fim das contas nunca falta o necessário. As férias nem sempre são na Disney ou em Cancun, mas ainda assim são férias familiares. Temos menos supérfluos e mais necessidades básicas atendidas. E no fim das contas, o marido se esforça mais, afinal sua responsabilidade é maior e sua carreira na maioria das vezes deslancha depois da pressão inicial. Ela tem razão.

Então a resposta a minha pergunta inicial é sim. É diferente, estamos em opostos totalmente distintos.  Em minha opinião faz falta um meio termo nos dois lugares, quem sabe em algum momento ambos chegam lá...

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