O mundo
está muito complicado. Crianças de 10 a 18 anos estão difundindo imagens e vídeos
de violações infantis, estão promovendo matanças ou cometendo suicídio on line,
existem milhares de seguidores, achando isso legal, divertido, uma brincadeira.
Essas crianças
foram os bebes que as mães aninharam, ajudaram a andar, choraram no primeiro
dia da escola, escreveram cartinhas para o papai noel e deixaram seus dentinhos
para a fada dos dentes. Sim, porque nenhuma dessas crianças é um alien. São nossas
crianças. Frutos de uma sociedade doente.
As pessoas
discutem quem tem responsabilidade, governo com suas cartilhas explicativas,
escolas que não orientam, pais permissivos, igrejas alienantes, enquanto isso
vivenciamos diariamente guerra de gêneros, guerras por partidos políticos, por
times de futebol, impunidade em todas as esferas. Famílias robôs, trabalhando
para consumir, ostentar, fazendo de conta que as fotos do facebook ou do álbum
de férias, relatam a felicidade plena.
A questão já
não é mais quem é o culpado. A questão é como salvar essa humanidade que vive
momentos de falência múltipla. A sociedade está com câncer instalado em órgãos vitais
e não se dá conta da gravidade. O que podemos fazer para que nossos filhos
podem conseguir terminar a escola sem conhecer nenhum assassino on line, sem
serem violados, sequestrados, podem conseguir um bom emprego, serem cidadões de
bem, responsáveis, seguir uma boa carreira, terem filhos e uma vida normal?
Em que
momento erramos? Há quem aposte na superproteção, que gera jovens medrosos,
rebeldes, intolerantes a frustração, que buscam grupos que acham que matar um
professor por dar zero é aceitável. Há quem aposte na cultura “filhos felizes”
que os torna míopes para a realidade, mimados e que buscam a cultura do prazer fácil
e ilimitado. Há quem culpe os meios de comunicação por expor um mundo infinito,
cheio de pornografia, informações duvidosas, as redes sociais, onde o mundo é
colorido e perfeito.
A web nos
apresenta um mundo infinito, onde as pessoas podem aprender a tocar um
instrumento, falar um idioma, conhecer toda história do mundo, das tecnologias
e ciências. Filhos felizes deveriam criar um mundo mais feliz, e a superproteção
não seria necessária se o mundo fosse tão feio.
O mundo
está complicado, mas também é um lugar bonito. Existem jovens que são capazes
de se superar, mas os olhos não estão neles. Porque não podemos falar, expor,
aclamar os jovens maravilhosos, que existem aos montes, que cuidam dos seus
amigos, são amáveis com seus pais, avós e irmãos. Os jovens que fazem trabalho
voluntário, que levantam fundos para poços na África ou para ONGs de animais.
Jovens que tem responsabilidade social, ambiental, que querem se superar,
jovens atletas, cientistas, escritores, poetas? Onde foi que a sociedade
acertou com eles? Será que também não foram superprotegidos, criados para serem
felizes, tiveram acesso à web?
A diferença
está nos valores. Podemos cuidar, amar, mostrar o mundo para eles, mas não podemos
esquecer das escolhas, da lei da ação e reação, universal em qualquer religião e
também entre os ateus e agnósticos, a única coisa que é certa é que cada ação tem
uma consequência, inclusive a nossa de pais, avós, tios, educadores, sociedade.
Nosso exemplo, mais que nossas palavras. Empatia se aprende, se absorve, bem
como bons hábitos, boas ações.
Saiamos da
tela e olhemos no espelho, veja o que ele reflete e como você reflete a
sociedade. Que tipo de pessoa você quer ser? Que tipo de jovem você quer
inspirar?
Fabiana Giannotti,
brasileira radicada no México desde 2008.. Adoro escrever, conversar, fazer
novos amigos, viajar. Me considero afortunada por viver no México, aprender a
respeitar e conhecer essa bela cultura. Conhecer, adaptar-se, aprender, mudar,
acostumar, respeitar, amar o diferente são algumas coisas que descobri nos
últimos anos, além do fato que, por mais perfeito que seja o plano tudo pode
mudar de repente...
Colunista e parceira no
blog: viviendoenelmexicomagico.blogspot.mx/




