terça-feira, 11 de junho de 2013

Vontade de mudar?

Retrospectiva 2008 - 2013

Essa semana fechamos um ciclo nas nossas vidas. O ultimo exame que fizemos comprovou que a cirurgia de vias urinárias do meu filho foi um sucesso. Ainda temos acompanhamentos que fazer, mas o medo de encarar uma 4º cirurgia e toda a odisseia que isso acompanha, emocionais, psicológicos e financeiros, ficou para trás. Nos últimos 2 anos estivemos tão envolvidos com esses problemas que sentimos que nossa vida de forma geral esteve em suspenso.

Não é fácil ver seu filho sofrer, saber que possui um problema de saúde sério e submete-lo a cirurgias. É ainda mais difícil quando se vive isso tudo em um país distante, sem apoio da família ou do plano de saúde. Sei se paga uma atrocidade de plano de saúde no Brasil e muitas vezes ainda temos que buscar um médico fora do convenio para ter um atendimento melhor, mas há menos surpresas. Nossos gastos, com médicos, exames etc, dava para comprar uns 2 carros, ainda que contando com seguro médico de gastos maiores. Mas não há dinheiro no mundo que pague pela saúde, então faríamos tudo de novo. Estou a 3 anos sem ir ao Brasil e não sei quando irei de novo. Agora é hora de abrir o peito, respirar aliviados e fazer planos de novo.

Não descartamos a ideia de voltar ao Brasil definitivamente, embora a probabilidade a curto prazo seja mínima. Pensamos em nos fixar um tempo no México ou mudar a outro país. Como? Para onde? Quem sabe? Hehe. A idéia é lançar os desejos ao Universo e esperar que Ele se encargue do como. Para onde seria bom ter uma idéia, só para ajudar.

Minha mãe esta com planos de vir a viver no México, alugar seu apto e viver pertinho da gente. Isso nos dá vontade de criar raízes, ter uma mãe e vó por perto facilita tudo, coração, sentimentos, logística de vida. Buscando ideias de lugares para ela, nos lembramos de como foi vir viver aqui e de todo o custo emocional e de adaptação.

Viemos para cá 1 mês antes do Natal. Chorava passeando pelos corredores dos shoppings escutando musicas natalinas e passando o primeiro Natal longe da minha gente. Reclamávamos de tudo, dos serviços, comida, falta disso e daquilo. Não sei como consegui fazer amigos mexicanos, esse povo é muito lindo como dizem por aqui. E conheci muita gente linda mesmo. Quando engravidei em meio a gripe suína, com menos de 6 meses vivendo aqui, foram essas pessoas queridas que me ajudaram a seguir adiante e não enlouquecer. Me deram carinho, apoio, recomendações. Jamais esquecerei da Paty me ligando dizendo que eu TINHA  que ir na obstetra dela, e que tinha muita pena de me ver sozinha nessa hora. E eu TINHA mesmo, valeu a pena cruzar a cidade e conhecer sua médica, uma pessoa linda que facilitou muito minha segunda gravidez e o fato de encararmos uma maternidade com a sala de espera vazia. Obrigada Paty e dra. Graciela.

Passada a gripe suína, gravidez, nascimento da minha princesa e primeira infância do meu filho, jamais vivemos tranquilamente no México, não sei se é porque meu marido e eu somos muito inquietos ou azarados, mas nos mudamos 6 vezes nos últimos 4 anos - e ainda temos coragem de pensar em mais mudanças. Após vivermos no hotel e nos mudarmos a um belo apto percebemos que nos equivocamos na primeira escolha, transito, custos, poluição nos fizeram mudar do primeiro apto para uma casa. Chegando na casa descubro a gravidez,  a parte da adaptação a nova vida, vivemos 2 anos nessa casa. Depois mudanças no local de trabalho nos fizeram mudar de zona e cidade. Nova adaptação, novo mundo de novo. Apesar da nova casa na nova cidade ser bem localizada tivemos o azar de sermos roubados duas vezes dentro de um condomínio fechado. Coisas da vida e maré brava, onde em 6 meses tivemos 2 cartões clonados, carteira roubada e 2 roubos a residência. Prejuízo, decepção, temor, nova mudança. Pertinho do Natal - já com arvore montada e tudo - mudamos de novo. Depois de apenas 9 meses o dono da casa decide vende-la e tivemos que mudar de novo, dessa vez já tinha enfeites de Haloween montados. Vontade de comprar casa só para parar de mudar. Isso tudo ocorreu nos últimos 2 anos e coincidindo com tantas mudanças e dramas pessoais vivemos os problemas de saúde do meu filhote. Não foi bolinho não.

Nessas horas em retrospectiva sabemos que somos adaptáveis e flexíveis. Podemos mudar mil vezes e ainda assim manter nossa essência. Sempre encontraremos pessoas maravilhosas que nos ajudarão. Hoje quando vejo um brasileiro recém chegado tenho peninha de toda adaptação que terá que sofrer, minha mae depois de tantas idas e vindas e com a gente por perto, espero que muito menos, estaremos aqui para cada passo que ela der, cada panela que tenha que comprar. Mas mesmo minha mae que já é quase uma cidadã mexicana após vir para cá umas 5 ou 6 vezes - perdi as contas - aprenderá a viver em solo estranho e vai curtir isso. Vai aprender a desfrutar os sabores que não gostava, a conhecer e não comparar, formas de ser e de viver, e vai encontrar em alguns aspectos valores culturais muitos superiores aos seus e em outros vai valorizar para sempre nossa terra amada Brasil com todos seus defeitos terríveis.

As vezes nos perguntamos se não vale a pena sossegar o facho e assentar aqui mesmo por enquanto. Pode ser que sim, pode ser que não. O tempo e oportunidades que surjam nos dirão. Mas se houver mudança, acho que teremos coragem de encarar de novo. Menos ingênuos e muito mais fortes. Seja o que o Arquiteto Divino decida, que seja para o melhor, sempre.



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