https://br.noticias.yahoo.com/blogs/super-incr%C3%ADvel/foto-de-policial-distraindo-crian%C3%A7a-ap%C3%B3s-acidente-que-matou-seu-pai-comove-internautas-184444589.html
Não consigo compreender porque as pessoas se emocionam com o fato do policial fazer o que nada mais é do que um ato de humanidade. Qualquer ser humano capaz de sentir um mínimo de solidariedade e compaixão faria isso. Em que momento as características básicas de humanidade se tornaram tão surpreendentes?
Se as pessoas estivessem comovidas com a situação da pequena criança que estará órfã de pai, ou da mãe que foi socorrida com ferimentos e teve que deixar filhos pequenos no local, eu poderia compreender, pois foi uma tragédia e é triste pensar na dor dessa família. Mas comover-se profundamente com um simples ato de humanidade e admitir que a maioria dos policiais não seriam capazes de fazer isso. Será que isso é verdade? Eu venho de uma família de policiais e digo que não. Eu acho que uma porcentagem mínima de policiais, assistentes sociais, peritos, bombeiros, equipes de primeiros socorros, repórteres, transeuntes seria tão insensível a ponto de não atender uma criança pequena afastando-a dos escombros perigosos e do corpo inerte e ferido do pai. E aposto que a maioria delas o faria porque estariam ocupados com algo e não veriam a prioridade.
Porque as pessoas esperam o pior das demais? Porque partimos do princípio que a humanidade está perdida nas pessoas? No momento que alertamos nossos filhos que pessoas más podem roubar-nos, assaltar? No momento que deixamos de cumprimentar ao vizinho, ao gari que varre nossas calcadas, que deixamos de olhar o mendigo que está ao lado. Que aprendemos a fechar portas, colocar grades nas janelas, colocar cinto de segurança, virar o rosto para tudo que é feio, imoral? Muitas vezes vamos a igreja, falamos de valores cristãos e não olhamos para a caixa do supermercado que trabalha como um robô bem na nossa frente. Que estamos ensinando a nossos filhos? Que valores passamos geração após geração quando vemos as desgraças do mundo e nos tornamos imunes a tanta dor ao nosso redor? Eu acho que deixamos de acreditar na humanidade de um policial porque nos acostumamos a tirar a humanidade das pessoas. Eh mais fácil encaixar o menor delinquente nas estatísticas, enquadrar o policial no estereótipo frio ou corrupto, fazer de conta que não vemos as diferenças sociais.
Uma vez minha mãe foi assaltada por um garoto e deu dinheiro para ele, mas também olhou nos seus olhos e conversou com ele. Viu o ser humano assustado atrás daquela arma, o menino perdido. E chorou por ele. Não chorou pelo seu dinheiro roubado, mas pela alma daquela criança. Ela não mudou o destino dele quando conversou com ele, mas mostrou a ele que era um ser humano e o viu no mesmo status. Exatamente como esse policial, é humano e tratou a menininha como ser humano, e seguramente deve ter chorado pela orfandade precoce da pequena. Acho que deveríamos fazer um movimento em favor da humanidade perdida. De parar, tirar as mãos do smartphone ou do Ipad e olhar nos olhos das pessoas ao nosso redor. Não podemos tirar o mendigo da rua, mas podemos oferecer um sanduiche, um café, um cobertor. Aliás lembro que minha mãe também fazia isso pelo mendigo que vivia perto da nossa casa. Podemos olhar nos olhos das pessoas e mostrar que as vemos. Em um mundo onde as pessoas e suas necessidades estão invisíveis as vezes um olhar, um gesto de amabilidade real e sincera pode mudar o curso da história de uma pessoa. Da mesma forma podemos olhar nos olhos do médico que nos trata como uma ficha de papel e aprendeu a não olhar nos olhos de um paciente, ou mesmo toca-lo, podemos olhar nos olhos do servidor público embrutecido com a burocracia e dizer, oi, sou uma pessoa e não um número ou uma ficha, tudo bem com você? Com um sorriso nos olhos e gentileza na voz, e não com a indignação daquele que está acostumado a ser servido.
Como mãe acho que temos obrigação de fazer isso. Assim como minha mãe me ensinou com seu exemplo de ser humano, policial e mulher pretendo ensinar aos meus filhos. Mas me vejo muitas vezes atuando de forma automatizada, organizada e desumana com meu semelhante. É hora de mudar isso.
Não consigo compreender porque as pessoas se emocionam com o fato do policial fazer o que nada mais é do que um ato de humanidade. Qualquer ser humano capaz de sentir um mínimo de solidariedade e compaixão faria isso. Em que momento as características básicas de humanidade se tornaram tão surpreendentes?
Se as pessoas estivessem comovidas com a situação da pequena criança que estará órfã de pai, ou da mãe que foi socorrida com ferimentos e teve que deixar filhos pequenos no local, eu poderia compreender, pois foi uma tragédia e é triste pensar na dor dessa família. Mas comover-se profundamente com um simples ato de humanidade e admitir que a maioria dos policiais não seriam capazes de fazer isso. Será que isso é verdade? Eu venho de uma família de policiais e digo que não. Eu acho que uma porcentagem mínima de policiais, assistentes sociais, peritos, bombeiros, equipes de primeiros socorros, repórteres, transeuntes seria tão insensível a ponto de não atender uma criança pequena afastando-a dos escombros perigosos e do corpo inerte e ferido do pai. E aposto que a maioria delas o faria porque estariam ocupados com algo e não veriam a prioridade.
Porque as pessoas esperam o pior das demais? Porque partimos do princípio que a humanidade está perdida nas pessoas? No momento que alertamos nossos filhos que pessoas más podem roubar-nos, assaltar? No momento que deixamos de cumprimentar ao vizinho, ao gari que varre nossas calcadas, que deixamos de olhar o mendigo que está ao lado. Que aprendemos a fechar portas, colocar grades nas janelas, colocar cinto de segurança, virar o rosto para tudo que é feio, imoral? Muitas vezes vamos a igreja, falamos de valores cristãos e não olhamos para a caixa do supermercado que trabalha como um robô bem na nossa frente. Que estamos ensinando a nossos filhos? Que valores passamos geração após geração quando vemos as desgraças do mundo e nos tornamos imunes a tanta dor ao nosso redor? Eu acho que deixamos de acreditar na humanidade de um policial porque nos acostumamos a tirar a humanidade das pessoas. Eh mais fácil encaixar o menor delinquente nas estatísticas, enquadrar o policial no estereótipo frio ou corrupto, fazer de conta que não vemos as diferenças sociais.
Uma vez minha mãe foi assaltada por um garoto e deu dinheiro para ele, mas também olhou nos seus olhos e conversou com ele. Viu o ser humano assustado atrás daquela arma, o menino perdido. E chorou por ele. Não chorou pelo seu dinheiro roubado, mas pela alma daquela criança. Ela não mudou o destino dele quando conversou com ele, mas mostrou a ele que era um ser humano e o viu no mesmo status. Exatamente como esse policial, é humano e tratou a menininha como ser humano, e seguramente deve ter chorado pela orfandade precoce da pequena. Acho que deveríamos fazer um movimento em favor da humanidade perdida. De parar, tirar as mãos do smartphone ou do Ipad e olhar nos olhos das pessoas ao nosso redor. Não podemos tirar o mendigo da rua, mas podemos oferecer um sanduiche, um café, um cobertor. Aliás lembro que minha mãe também fazia isso pelo mendigo que vivia perto da nossa casa. Podemos olhar nos olhos das pessoas e mostrar que as vemos. Em um mundo onde as pessoas e suas necessidades estão invisíveis as vezes um olhar, um gesto de amabilidade real e sincera pode mudar o curso da história de uma pessoa. Da mesma forma podemos olhar nos olhos do médico que nos trata como uma ficha de papel e aprendeu a não olhar nos olhos de um paciente, ou mesmo toca-lo, podemos olhar nos olhos do servidor público embrutecido com a burocracia e dizer, oi, sou uma pessoa e não um número ou uma ficha, tudo bem com você? Com um sorriso nos olhos e gentileza na voz, e não com a indignação daquele que está acostumado a ser servido.
Como mãe acho que temos obrigação de fazer isso. Assim como minha mãe me ensinou com seu exemplo de ser humano, policial e mulher pretendo ensinar aos meus filhos. Mas me vejo muitas vezes atuando de forma automatizada, organizada e desumana com meu semelhante. É hora de mudar isso.

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