Até que ponto devemos ajudar nossos filhos em seus projetos? Até que ponto devemos "pegar pela mão" e em que ponto devemos ir para os bastidores?
Recentemente meu filho, na primeira série do primário, resolveu que queria escrever um conto. Inventou um super herói que é uma mistura de Batman com sei-lá-o-que e não sabia como escrever. Durante o tempo que ficou internado, com soro na mão e muito desconforto pelas sondas o convenci a me contar a história e eu fui escrevendo, a ideia era dele, as preposições, estruturas verbais e pronomes eram meus. O resultado final foi uma história claramente escrita por uma criança de 7anos e todo seu mundo de infinita imaginação, um menininho felicíssimo com seu próprio logro.
Semana passada foi sua estréia, assim como de sua irmãzinha de 3 anos em uma feira de ciências. O professor, um biólogo, fez um projeto bacana, compramos tartarugas e coisas para cuidá-las, em uma equipe e as crianças aprenderam a cuidá-las, pesar, medir, alimentar e limpar, fazendo um projeto científico onde as crianças deveriam avaliar que alimento era melhor para as tartarugas. Tudo isso supervisionado pelo professor em um laboratório e registrado pelos pequenos. Para eles não era um projeto cientifico, e sim parte de suas tarefas escolares. Logo deveriam fazer uma apresentação, em inglês, com imagens e demonstração na feira de ciências. No caso da minha filha menor tínhamos que buscar um projeto sobre cores, fazer uma apresentação e cartaz. Obviamente muito trabalho para os pais.
Sempre fui contra escolas que ficam passando muita "lição de casa para pais". Quando me envolvi no projeto das tartarugas, me reunindo com pais nas manhãs para discutir e preparar a apresentação me dei conta de que esse envolvimento estimula a criança. Pude ajudar a prepara-lo, compreender e fazer uma bonita apresentação. Todo pai e mãe deseja que seu filho se dedique com entusiasmo a escola e espera que isso brote única e exclusivamente em função da escola. As vezes professores comprometidos e dedicados conseguem despertar uma paixão por química, biologia, matemáticas ou literatura, mas na maioria das vezes o que ocorre é o contrário. Professores cansados e automatizados se supõe que ensinam e os alunos fingem que aprendem.
Não sei se meu filho será um cientista, matemático, artista ou advogado. Certamente não tem veia para biologia, rs, uma vez que era o único do grupo que não queria tocar nas tartarugas, mas nesse período esteve buscando informações em livros de pesquisa sobre os animais e adora compreender sobre eles, como vivem, seus habitats, forma de alimentar-se. Se interessa em pesquisar, em aprender.
Essa semana começamos um projeto de teatro, dá-lhe mais pesquisas e estímulos a imaginação. Resisto a tentação de buscar algo pronto googleando e me sento com meu filho. Voltando as responsabilidades escolares depois de tanto tempo...mas pouco a pouco vou saindo de cena e deixando meu pequeno ser o ator principal. E escritor, cientista, musico e o que mais deseje sonhar.